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O que é compliance? Guia completo para aplicar na sua empresa

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Alana Schmidt

Alana Schmidt

Especialista SEO que acredita sempre na qualidade de conteúdo. Foco em crescimento orgânico de empresas SaaS e entusiasta de tecnologia e IA.
O que é compliance

Em um mundo corporativo cada vez mais complexo e regulado, uma palavra se tornou onipresente nas salas de reunião e planejamentos estratégicos: compliance

Longe de ser apenas um jargão ou uma burocracia, entender o que é compliance é fundamental para a sobrevivência, o crescimento e a reputação de qualquer empresa, independentemente do seu tamanho ou setor.

Mas, afinal, o que significa estar “em compliance”? Como um programa de compliance pode proteger uma organização de riscos legais e financeiros, ao mesmo tempo em que fortalece sua cultura e a confiança do mercado?

Sendo assim, este guia completo foi criado para desmistificar o tema, mostrando desde a definição de compliance até um passo a passo prático de como implementar um programa de compliance eficiente na sua empresa. Vamos mergulhar nos pilares, tipos e benefícios que fazem da conformidade um dos ativos mais valiosos do negócio moderno.

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1. Introdução — O que é compliance?

Na sua essência, a definição de compliance é simples: trata-se do cumprimento de um conjunto de normas legais e regulamentares, políticas e diretrizes estabelecidas para o negócio, bem como direcionamentos para evitar, detectar e tratar qualquer desvio ou inconformidade que possa ocorrer.

A origem do termo vem do verbo em inglês to comply, que significa “agir de acordo com uma regra, uma ordem ou um pedido”. Portanto, estar em compliance é estar em conformidade.

Para um completo entendimento, é fundamental diferenciar o compliance como conceito e o compliance como programa. Pois o conceito é a meta de estar em conformidade. Já umprograma de compliance é o sistema estruturado que uma empresa cria para alcançar essa meta. Ele envolve políticas, procedimentos, controles internos, treinamentos e monitoramento contínuo.

Hoje, em mercados altamente regulados e competitivos, o compliance empresarial deixou de ser um diferencial para se tornar uma necessidade. Leis como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e a Lei Anticorrupção (Lei nº 12.846/13) no Brasil elevaram o patamar de exigência, tornando um programa de integridade robusto indispensável para a gestão de riscos e a sustentabilidade do negócio.

2. Por que compliance importa?

Compliance importa pois gera benefícios que vão muito além de simplesmente “seguir as regras”. Ignorar a importância do compliance nas empresas é como navegar em águas turbulentas sem um mapa ou um leme: as consequências podem ser devastadoras.

  • Proteção legal e redução de riscos: a principal função do compliance é mitigar riscos. Isso inclui evitar multas pesadas, sanções governamentais, processos judiciais e outras penalidades que podem comprometer a saúde financeira da organização. Um programa de compliance eficiente identifica os riscos regulatórios e cria barreiras para que não se materializem.
  • Preservação e fortalecimento da reputação corporativa: em um mundo conectado, a reputação de uma marca pode ser construída em anos e destruída em minutos. Escândalos de corrupção, vazamentos de dados ou violações trabalhistas têm um impacto direto na percepção do público. Uma empresa conhecida por sua ética e conformidade legal atrai e retém clientes, talentos e parceiros.
  • Cultura organizacional ética: o compliance ajuda a solidificar uma cultura de integridade. Quando os valores de ética e transparência são comunicados do topo para a base (tone at the top) e reforçados por políticas claras e treinamentos, os colaboradores entendem o que é esperado deles, criando um ambiente de trabalho mais seguro e ético.
  • Confiança de investidores, parceiros e consumidores: investidores e parceiros de negócios preferem se associar a empresas com baixo risco e boa governança. Um programa de compliance robusto é um selo de qualidade que demonstra gestão responsável, transparência e segurança. Para os consumidores, é a garantia de que estão lidando com uma empresa que valoriza a ética e a proteção de seus direitos.

3. Como o compliance se integra à Governança Corporativa

Compliance não é uma ilha, ou seja, ele não é algo isolado dentro da empresa, e sim uma peça central de um quebra-cabeça maior conhecido como GRC (Governance, Risk & Compliance), ou Governança, Riscos e Compliance, em português. Esses três elementos estão intrinsecamente ligados e se apoiam mutuamente.

  • Governança Corporativa: define a direção, as regras e a estrutura de poder da empresa. É o sistema pelo qual as organizações são dirigidas e controladas. O conselho de administração e a alta gestão estabelecem a estratégia e o tom ético, e são responsáveis por gerenciar as crises e superar os desafios da governança corporativa.
  • Gestão de Riscos (Risk Management): é o processo de identificar, analisar e responder aos riscos que podem impedir a empresa de atingir seus objetivos.
  • Compliance: garante que a empresa opere dentro das leis e regulamentos aplicáveis, bem como das suas próprias políticas internas, alinhando-se à direção da governança e tratando os riscos identificados.

Nesse ecossistema, o compliance corporativo atua como o motor que transforma as diretrizes da governança em ações práticas. Ele trabalha em conjunto com a auditoria interna, que verifica de forma independente se os controles e processos de compliance estão funcionando como deveriam, e com os controles internos, que são os mecanismos e procedimentos implementados para garantir a conformidade no dia a dia.

O papel do conselho e da alta gestão neste processo é crucial. Eles não são apenas responsáveis por aprovar as políticas de compliance, mas também por demonstrar um compromisso visível com a cultura de integridade, fornecendo os recursos necessários e garantindo que o programa seja levado a sério em todos os níveis da organização.

4. Os pilares e componentes de um programa de compliance

Um programa de compliance eficiente não é uma única ação, mas um sistema vivo, composto por diversos elementos que trabalham em conjunto. Esses são os pilares fundamentais que sustentam uma estrutura de conformidade sólida.

a) Políticas e procedimentos claros

A base de qualquer programa de integridade é a documentação. Isso começa com um Código de Conduta e Ética, um documento mestre que estabelece os valores e princípios da empresa. A partir dele, derivam políticas de compliance segmentadas, que abordam riscos específicos.

  • Exemplos práticos: Política Anticorrupção, Política de Brindes e Presentes, Política de Proteção de Dados (LGPD), Política de Prevenção à Lavagem de Dinheiro, Política de Conflito de Interesses.
  • KPIs: alguns indicadores que podem ser acompanhados para mensurar a adesão são o percentual de colaboradores que leram e assinaram o Código de Conduta e o número de políticas revisadas e atualizadas anualmente, por exemplo.

No caso de empresas que realizam viagens corporativas, é fundamental também incluir este tipo de política no seu radar do programa de compliance. Baixe nosso modelo customizável de política de viagens corporativas e comece a atualizar suas práticas!

b) Cultura de integridade

Políticas no papel não têm valor se não forem vivenciadas na prática. A cultura de integridade depende de um compromisso genuíno da liderança, conhecido como Tone at the Top (o tom no topo). Então, quando os líderes agem de forma ética, eles estabelecem o padrão para toda a organização.

  • Exemplos práticos: comunicação constante sobre a importância da ética em reuniões gerais, newsletters e canais internos; líderes que participam ativamente dos treinamentos de compliance.
  • KPIs: resultados de pesquisas de clima organizacional sobre percepção de ética; engajamento nas campanhas de comunicação.

c) Avaliação e gestão de riscos

Um programa de compliance eficaz é construído com base nos riscos reais da empresa. A avaliação de riscos (ou risk assessment) é o processo de mapear, analisar e priorizar os riscos legais, regulatórios e éticos específicos do negócio e do setor de atuação, além de fraudes corporativas.

  • Exemplos práticos: criação de uma matriz de risco que classifica os riscos por probabilidade e impacto; entrevistas com gestores de área para identificar vulnerabilidades.
  • KPIs: número de riscos mapeados e com planos de mitigação definidos; redução percentual de incidentes em áreas de alto risco.

d) Canais de denúncia e proteção ao denunciante

É essencial que colaboradores, fornecedores e outros stakeholders tenham um meio seguro e confidencial para relatar suspeitas de violações. O canal de denúncias (ou hotline) deve ser independente, permitir o anonimato e garantir uma política de não retaliação contra o denunciante de boa-fé.

  • Exemplos práticos: implementação de um portal online ou linha 0800 operados por uma empresa terceirizada e independente para garantir o anonimato.
  • KPIs: número de relatos recebidos; tempo médio para investigação e resolução dos casos; percentual de casos confirmados.

e) Monitoramento e auditoria

Implantar um programa não é o fim da linha. Pois é preciso monitorar continuamente sua eficácia e realizar auditorias periódicas para garantir que os controles estão funcionando. A auditoria de compliance avalia se os processos estão sendo seguidos e identifica oportunidades de melhoria.

  • Exemplos práticos: realização de testes periódicos em transações de alto risco; auditorias internas anuais focadas em processos de compliance; revisão de logs de acesso a dados sensíveis.
  • KPIs: número de não conformidades encontradas em auditorias; tempo para implementação de ações corretivas.

f) Treinamento e capacitação continuada

Ninguém nasce sabendo as regras. Por isso, a empresa é responsável por educar suas equipes sobre o Código de Conduta, as políticas de compliance e os riscos associados às suas funções. O treinamento deve ser contínuo, engajador e adaptado para diferentes públicos.

  • Exemplos práticos: aplicação de treinamento de integração para novos colaboradores; cursos online anuais de reciclagem sobre LGPD e anticorrupção; workshops específicos para equipes de vendas e compras.
  • KPIs: percentual de colaboradores que concluíram os treinamentos obrigatórios; notas de avaliação dos treinamentos.

g) Due Diligence em terceiros

Os riscos de uma empresa não se limitam às suas operações internas. Fornecedores, distribuidores, agentes e outros parceiros podem representar um risco significativo. A due diligence (diligência prévia) é o processo de investigar a integridade e a reputação desses terceiros antes de iniciar uma relação comercial.

  • Exemplos práticos: disponibilização de questionários de compliance para novos fornecedores; verificação em listas restritivas nacionais e internacionais; inclusão de cláusulas de compliance em contratos.
  • KPIs: percentual de terceiros críticos que passaram pelo processo de due diligence; número de parceiros reprovados na avaliação.

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5. Tipos de compliance – com exemplos

O compliance se desdobra em diversas áreas, cada uma focada em um conjunto específico de normas e riscos. Assim, a complexidade do programa de uma empresa dependerá de quais tipos de compliance são mais relevantes para sua operação. Veja alguns exemplos.

  • Compliance Legal/Regulatório: Em primeiro lugar, este é o tipo mais abrangente de compliance, pois está diretamente relacionado ao cumprimento de todas as leis e regulamentos governamentais aplicáveis ao negócio. Ou seja, trata-se de garantir que a empresa atue dentro do que a legislação exige.
    Exemplo: uma indústria que segue rigorosamente as normas da ABNT na fabricação de seus produtos.
  • Compliance Corporativo: Na sequência, o compliance corporativo diz respeito às normas internas definidas pela própria organização. Nesse caso, o foco não está na lei externa, mas nas regras que orientam a conduta dos colaboradores e da gestão.
    Exemplo: garantir o cumprimento do Código de Ética e Conduta e das demais políticas internas da empresa.
  • Compliance Fiscal/Tributário: Além disso, o compliance fiscal assegura que a empresa cumpra corretamente suas obrigações tributárias, pagando impostos, taxas e contribuições dentro dos prazos estabelecidos. Dessa forma, evita-se a exposição a multas e autuações por parte do fisco.
    Exemplo: a entrega correta e dentro do prazo da ECF (Escrituração Contábil Fiscal).
  • Compliance Trabalhista: Por outro lado, o compliance trabalhista está voltado ao atendimento da legislação trabalhista e previdenciária, incluindo a CLT, as normas regulamentadoras (NRs) e os acordos coletivos. Esse tipo de compliance impacta diretamente a relação entre empresa e colaboradores.
    Exemplo: pagamento adequado de horas extras e a garantia de um ambiente de trabalho seguro.
  • Compliance Socioambiental: assegura que a empresa opere de acordo com as leis ambientais e adote práticas de responsabilidade social, minimizando seu impacto no meio ambiente e na comunidade. Exemplo: Obtenção de licenças ambientais e implementação de programas de reciclagem.
  • Compliance de Proteção de Dados: mais recentemente, com a entrada em vigor da LGPD no Brasil e da GDPR na Europa, o compliance de proteção de dados ganhou papel central. Nesse contexto, ele se dedica a garantir que dados pessoais sejam coletados, tratados e armazenados de forma legal, segura e transparente.
    Exemplo: implementação de um portal de privacidade para que os titulares exerçam seus direitos.
  • Compliance Anticorrupção e Antissuborno: Por fim, este tipo de compliance tem como foco prevenir, detectar e remediar práticas de corrupção, como suborno, fraude em licitações e tráfico de influência, com base em legislações específicas.
    Exemplo: proibição expressa de pagamentos de facilitação a agentes públicos.
  • Compliance no Setor Financeiro: instituições financeiras estão sujeitas a uma regulação extremamente rigorosa para prevenir lavagem de dinheiro (PLD/FT) e garantir a estabilidade do sistema. Exemplo: Um banco que monitora e reporta transações suspeitas ao COAF.

6. Etapas para implementar um programa de compliance

A implementação de compliance é um projeto estratégico que exige planejamento, patrocínio da alta gestão, normalmente encabeçado pelo Chief Compliance Officer (quando a empresa tiver este cargo), e envolvimento de toda a empresa. Embora cada organização tenha suas particularidades, as etapas a seguir fornecem um mapa claro de como implementar compliance na empresa.

1. Diagnóstico e Avaliação de Riscos

Tudo começa com um olhar para dentro e para fora. Nesta fase, o objetivo é entender o cenário atual da empresa e identificar seus principais riscos de conformidade.

  • Ações: levantar todas as leis, normas e regulamentos aplicáveis ao setor; mapear os processos internos mais vulneráveis (compras, vendas, RH); realizar entrevistas com gestores para entender os riscos práticos de cada área.

2. Estruturação de Políticas e Documentos

Com os riscos mapeados, é hora de criar as regras do jogo. Esta etapa envolve a redação dos documentos que guiarão o comportamento de todos na organização.

  • Ações: desenvolver ou revisar o Código de Conduta; criar políticas específicas para os riscos prioritários (ex: anticorrupção, proteção de dados); elaborar manuais e procedimentos operacionais claros.

3. Comunicação e Treinamento

De nada adianta ter políticas excelentes se ninguém as conhece. A comunicação eficaz e o treinamento contínuo são essenciais para que o programa saia do papel e se torne parte da cultura.

  • Ações: lançar uma campanha de comunicação interna para apresentar o programa; realizar treinamentos obrigatórios para todos os colaboradores, com módulos específicos para áreas de maior risco.

4. Monitoramento, Auditoria e Melhorias Contínuas

Um programa de compliance precisa evoluir. O monitoramento contínuo e as auditorias periódicas garantem que o sistema está funcionando e permitem fazer ajustes quando necessário.

  • Ações: definir KPIs de compliance para acompanhar a eficácia do programa; realizar auditorias internas para testar os controles; criar um comitê de ética para supervisionar o programa e revisar as políticas regularmente.

5. Programas de Due Diligence e Terceiros

Por fim, o programa deve se estender para além das fronteiras da empresa, garantindo que a cadeia de suprimentos e parcerias também esteja em conformidade.

  • Ações: implementar um processo formal de due diligence para novos fornecedores e parceiros; incluir cláusulas de compliance e anticorrupção em todos os contratos com terceiros.

7. Compliance no mundo real: ilustração com casos práticos

Para entender o impacto real do compliance, nada melhor do que ver exemplos práticos de como ele funciona (ou das consequências de sua ausência).

Exemplo positivo: compliance como vantagem competitiva

Desde o início de sua operação, a startup de tecnologia InovaTech optou por investir fortemente em um programa de compliance de proteção de dados, alinhado às exigências da LGPD. Para isso, a empresa estabeleceu políticas claras, além de promover treinamentos para toda a equipe. Como resultado, seu software foi desenvolvido com base no conceito de Privacy by Design, incorporando a proteção de dados desde a concepção do produto.

Ao competir por um grande contrato com uma multinacional europeia, a InovaTech se destacou dos concorrentes. Sua estrutura robusta de governança de dados foi o fator decisivo para a multinacional, que via na startup um parceiro de baixo risco e alta confiabilidade.

Neste caso, o compliance não foi um custo, mas o investimento que abriu a porta para o maior cliente da sua história.

Caso de risco: a falha na Due Diligence de terceiros

Uma construtora, a “Edifica S.A.”, precisava de um despachante para agilizar a obtenção de licenças para uma nova obra. Sem um processo de due diligence adequado, contrataram um intermediário com base apenas em indicações. Meses depois, uma investigação revelou que esse despachante estava envolvido em um esquema de pagamento de propina a funcionários públicos.

Mesmo que a Edifica S.A. não tivesse conhecimento direto do ato ilícito, sua marca foi associada ao escândalo, sofrendo danos reputacionais severos e sendo incluída na investigação por responsabilidade objetiva, conforme a Lei Anticorrupção. Aqui, uma simples verificação prévia poderia ter evitado toda a crise.

Aplicação prática: canal de denúncias em ação

Em uma grande varejista, um analista júnior do departamento financeiro percebeu que seu gestor direto estava aprovando notas fiscais de um fornecedor para serviços que nunca foram prestados. Com medo de retaliação, ele usou o canal de denúncias anônimas da empresa para relatar a situação.

A equipe de compliance iniciou uma investigação sigilosa, confirmou afraude na prestação de contas e o gestor foi desligado. Então, o canal de denúncias permitiu que uma fraude interna fosse descoberta precocemente, evitando um prejuízo financeiro maior e reforçando a mensagem de que desvios de conduta não são tolerados.

Em suma, o compliance é mais do que uma obrigação legal: é uma decisão estratégica que protege, fortalece e valoriza uma empresa. Implantar um programa de compliance eficiente é construir as fundações para um crescimento sustentável, baseado na ética, na integridade e na confiança.

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